Convergência de Mídias

Trabalho nessa tênue linha, a integração de internet com TV, há alguns anos. Lá por 1997, a TV onde eu trabalhava em Miami já queria colocar alguns vídeos na Internet, mas a conexão era tão lenta — mesmo nos Estados Unidos — que optamos por um modelo usado pela AOL. A narração era a mesma da TV, mas os vídeos com 30 frames por segundo eram substituídos por fotos. Fazíamos um slide show, e o resultado, apesar de satisfatório, era muito distante do que era apresentado na TV. Portanto, ainda não representava uma ameaça.

Em pouco tempo a conexão dos internautas ficou mais rápida, as empresas conseguiram trafegar volumes muito maiores de informação e o vídeo online se tornou realidade. Começaram a surgir as primeiras dúvidas. Será que Internet e TV vão se fundir? Será que computadores e aparelhos de televisão vão se juntar num novo e revolucionário produto? YouTube, Hulu, vídeos on demand em todo lugar... Será que a Internet vai matar a TV?

Esse era o tom da discussão há não muito tempo. E as conclusões geralmente tendiam ao assassinato. Sim, a TV — assim como as gravadoras, as editoras de livros, os jornais impressos – estão fadadas a, se não desaparecer, pelo menos “se tornarem insignificantes”. O mundo online, colaborativo, tomaria o poder sobre as grandes corporações.

O pêndulo começou a retornar há algum tempo. As redes americanas atingiram, nos últimos meses, algumas das maiores audiências da história. A final do Super Bowl de 2010 se tornou o programa mais assistido de todos os tempos, superando o histórico episódio de M*A*S*H*. A transmissão do Oscar também teve ótimo público, e outros exemplos recentes são inúmeros. Mas o mais curioso não é isso, e sim a explicação para esse aumento de audiência: o efeito positivo da internet.

Os executivos americanos — e os jornalistas que cobrem essa área — descobriram algo que, na verdade, parece bastante óbvio. Quanto mais se fala de alguma coisa, mais aumenta o interesse por ela. O que, no mundo da TV, geralmente resulta em audiências maiores.

Nesse sentido, as redes sociais, blogs e demais formas de disseminação de informação em rede ajudam os programas de TV. Ou alguém duvida que todas as comunidades, sites e blogs sobre Lost ajudam a audiência do programa, mesmo que muitos vejam os episódios online? Aqui no Brasil, há o exemplo do Big Brother Brasil (BBB), que tem tamanha audiência na internet que mesmo portais de grupos de comunicação concorrentes da Globo são obrigados a ter páginas especializadas em BBB por causa do grande interesse do público.

O que parece lógico hoje é que o público de TV é o mesmo que lê livros — em papel ou em outros equipamentos eletrônicos —, é o que joga Play Station em rede e o que também vê vídeos ou baixa episódios online. Ou seja, todos nós. E tratar o público como adversário não faz muito sentido.

O novo conceito, de preparar o melhor conteúdo para que ele seja visto em cada plataforma, é a nova regra do jogo. O que precisa ainda melhorar muito é a forma de interação desse público com o mundo da TV. Em breve, o público poderá não apenas consumir produtos de TV online mas também, de fato, ajudar a produzir conteúdo, cada vez com uma qualidade e uma linguagem mais interessantes, incorporando ainda novos hábitos, cada vez mais frequentes, como o de ver TV ao mesmo tempo em que se navega por sites de mídia social.

Para marcar essa fase de reaproximação com a internet, o presidente da CBS americana, Leslie Moonves, foi bem direto em uma conferência: “A internet é nossa amiga”.

Que assim seja. Até que as coisas mudem de novo!